quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O MELHOR AMIGO















Para o Melhor Amigo, o Melhor Pedaço

Sebastião era um velho mendigo que andava pelas ruas da cidade.

Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata branco que atendia pelo nome de Snopy.

Sebastião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou outro alimento qualquer.

Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras.

O mendigo era conhecido como um homem bom que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade.

Não tomava bebida alcoólica e estava sempre tranquilo, mesmo quando não recebia nada de comida.

Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que precisava alguém lhe estendia uma porção de alimentos.

Sebastião agradecia com reverência e pedia a Deus pela pessoa que o ajudava.

Tudo que ganhava, dava primeiro para o Snopy, que, paciente, comia e ficava esperando por mais um pouco.

Não tinham onde passar as noites; quando anoitecia, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo em baixo da ponte do ribeirão. Ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte.

Aquela figura era intrigante, pois levava uma vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor.

Certo dia, um homem, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas, ficou a conversar com o velho mendigo.

Iniciou a conversa falando do Snopy, perguntou pela idade dele, mas Sebastião não sabia.

Dizia não ter ideia, pois se encontraram num certo dia, quando ambos caminhavam pelas ruas.

Nossa amizade começou com um pedaço de pão – disse o mendigo. Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu, abanando o rabo, e daí, não me largou mais.

Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.

Como vocês se ajudam? Perguntou. Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele ladra e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode.

Continuando a conversa, o homem lhe fez uma nova pergunta: Sebastião, você tem algum desejo de vida?

Sim, respondeu, tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que tem na roullote da esquina.

Só isso? Perguntou?

É, no momento é só isso que eu desejo.

Pois bem, disse-lhe o homem, vou satisfazer agora esse grande desejo.

Saiu e comprou um cachorro quente e o entregou ao velho.

Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Snopy, e comeu o pão com os temperos.

O homem não entendeu aquele gesto, pois imaginava que a salsicha era o melhor pedaço.

Por que você deu para o Snopy, logo a salsicha? Perguntou, intrigado.

Ele, com a boca cheia, respondeu: "para o melhor amigo, o melhor pedaço."

E continuou comendo, alegre e satisfeito.

O homem se despediu de Sebastião, passou a mão na cabeça do cão e saiu pensando com seus botões: aprendi alguma coisa hoje. Como é bom ter amigos. Pessoas em que possamos confiarem. Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal. Jamais esquecerei a sabedoria daquele mendigo.

E você, que parte tem reservado para os seus amigos?

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O PODER DAS PALAVRAS

Brilhante afirmação de Bess Sondel! É a mais pura verdade.
Palavras levantam ou derrubam.
Acalmam ou revoltam.
Acariciam ou ferem.
Harmonizam ou destroem.
Ora são pontes, ora são muralhas...
Às vezes, unem; outras vezes, separam.

Palavras têm força.
Peso.
Poder.
Podem promover a paz ou podem provocar uma guerra.

Certamente já se ouviu falar de guerras que foram deflagradas, em consequência de algo que foi dito num momento impensado.

- Quem nunca experimentou situações de ódio, rancor, indiferença,
Paixão ou amor, despertadas por palavras proferidas no auge da exaltação?

Palavras têm ressonâncias eternas.
Têm consequências inesperadas e ás vezes irreparáveis.
Podem levar ao céu e podem impelir ao abismo.

E, uma vez proferidas, como retirá-las? Como desfazer os estragos por elas provocados?

Há sempre a possibilidade de um pedido de perdão
Ou a tentativa de alguma explicação para minimizar o impacto causado.
Mas, como colar uma porcelana sem deixar
As marcas da emenda? Seria o mesmo que tratar das feridas e ignorar as cicatrizes.

Palavras exigem reflexão, cautela, serenidade...
Jamais a impulsividade.

A reflexão e o cuidado previnem estragos que podem ser evitados.
A impulsividade gera atritos e desentendimentos.

Palavras podem ser bênçãos ou sentenças...

Que as nossas palavras jamais sejam sentenças.
Que elas possam sempre ser bênçãos sussurradas por Deus em nossos ouvidos,
Para que tenham o poder da harmonia,
Da cura, do conforto, da fé, da esperança, do amor e da paz.



Autor: Bess Sondel

sábado, 25 de agosto de 2007

A ROSA

Era uma manhã de um dia de semana, desses de céu aberto e muito sol. Um trabalhador dirigiu-se para seu local de trabalho. Passando em frente a um templo religioso, decidiu entrar. Era uma sala muito ampla. Ele se sentou num dos últimos lugares, bem ao fundo. Ali se pôs a fazer a sua oração cheia de vida, dialogando com Jesus. Ouviu, então, no meio do silêncio, a voz de alguém, cuja presença não tinha percebido: venha aqui. Venha ver esta rosa. Ele olhou para os lados, para frente, e viu uma pessoa sentada num dos primeiros lugares. Levantou-se e a voz falou outra vez: Venha ver esta rosa.
Embora sem entender, ele se dirigiu até a frente e percebeu que sobre a mesa
Havia realmente um vaso, no qual estava uma linda rosa. Parou e começou a observar o homem maltrapilho que, vendo-o hesitante, insistiu: venha ver a rosa sim, estou vendo a rosa, respondeu. Por sinal, muito bonita.
Mas o homem não se conformou e tornou a dizer: Não, sente-se aqui ao meu lado e veja a rosa. Diante da insistência, o trabalhador ficou um tanto perturbado. Quem seria
Aquele homem maltrapilho? O que desejaria com ele com aquele convite? Seria sensato sentar-se ali, ao lado dele? Finalmente, venceu as próprias resistências, e se sentou ao lado do homem. Veja agora a rosa, falou feliz o maltrapilho. De fato, era um espectáculo todo diferente. Exactamente daquele lugar onde se sentara, daquele ângulo, podia ver a rosa colocada sobre um vaso de cristal, num colorido de arco-íris. Dali podia-se perceber um raio de luz do sol que vinha de uma das janelas e se reflectia naquele vaso de cristal, decompondo a luz e projectando um colorido especial sobre a rosa, dando-lhe efeitos visuais de um arco-íris.
E o trabalhador, extasiado, exclamou: é a primeira vez que vejo uma rosa em cores de arco-íris. Mas, se eu não me tivesse sentado onde estou, se não tivesse tido a coragem de me deslocar de onde estava, de romper preconceitos, jamais teria conseguido ver a rosa, num espectáculo tão maravilhoso. É preciso saber olhar os outros de um prisma diferente do nosso. O amor assume coloridos diversos, se tivermos coragem de nos deslocar do nosso comodismo, de romper com preconceitos, e vermos as pessoas de modo diferente e novo. Há uma rosa escondida em todas as pessoas que não estamos sendo capazes de ver. Há necessidade de sairmos de nós mesmos, de nos dispormos a sentar em um lugar incomodo, de deixar de lado as prevenções, para poder ver as rosas do outros, de um ângulo diferente. Realizemos esta experiência, hoje, em nossas vidas. Procuremos aceitar que podemos ver um colorido diferente onde, para nós, nada havia antes, ou talvez, de acordo com nosso modo de pensar, jamais poderiam ser vistas outras cores.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

LINHA CÉTICA


Lenda nova: "marte aparecerá tão grande quanto a Lua".

Tem se espalhado pela Internet o seguinte mito:
"MARQUE 27 DE AGOSTO NO SEU CALENDÁRIO MARTE APARECERÁ TÃO GRANDE COMO A LUA! PELA PRIMEIRA VEZ EM PELO MENOS 5.000 ANOS!

Nunca novamente na sua vida o planeta vermelho fará uma aparição tão espectacular!

Nesta semana e na próxima, a Terra estará alcançando Marte, um encontro que culminará na maior aproximação entre os dois planetas de que se tem conhecimento. A próxima vez que Marte provavelmente ficará assim perto da Terra será em 2287.

Devido a forma com que a gravidade de Júpiter influencia Marte e perturba a sua órbita, os astrónomos estão seguros que Marte não ficou tão perto da Terra nos últimos 5.000 anos mas este tempo pode ser de até 60.000 anos.

Em 27 de Agosto, Marte se aproximará 34.649.589 milhas (55.763.108 quilómetros) da Terra e será (junto com a Lua) o mais brilhante objecto no céu à noite. Chegará a uma magnitude tal que aparecerá tão grande como a Lua cheia a olho nu e portanto facilmente localizado.

No começo de Agosto, o planeta nascerá no leste às 22 horas e alcançará seu azimute aproximadamente às 3 horas. Mais para o final de Agosto, onde os dois planetas estarão mais perto, Marte se levantará ao anoitecer e atingirá seu ponto mais alto no céu aos trinta minutos depois da meia-noite.

Valerá o esforço de ver um acontecimento que nenhum ser humano jamais viu em toda a história documentada. Então, anote no calendário no começo de Agosto para ver Marte ficar progressivamente mais e mais brilhante durante o mês."
Isso é uma grande bobagem!

A mensagem diz que Marte Chegará a uma magnitude tal que aparecerá tão grande como a Lua cheia a olho nu.

Vamos com calma, gente. O planeta vermelho não vai ficar do tamanho da Lua.

Como ele costuma fazer a cada 73 mil anos, ele vai aparecer um pouco maior e mais brilhante do que o habitual, mas não parecendo uma segunda Lua.

Consultado sobre o assunto, o astrónomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão afirmou:•
"O que estão fazendo é um sensacionalismo muito grande. É um comportamento prejudicial à ciência astronómica, pois os leigos ficarão decepcionados e vão atribuir aos astrónomos estas previsões. Aliás, foi o que ocorreu com as previsões relativas ao cometa Halley em 1986."

Decepcionante? Pode ser e isso é um bom sinal para não se dar muito crédito a essas mensagens relatando coisas alarmantes ou fatos extraordinários.

O que vai acontecer, na verdade, é algo inteiramente normal e corriqueiro. Bom, pelo menos ao se considerar a idade da Terra, isso é coisa normal e corriqueira. Apesar de o fenómeno ocorrer com essa intensidade a cada 73 mil anos, a Terra tem idade muito superior a isso e já presenciou tal ocorrência milhares de vezes.

Extraordinário é o fato de o fenómeno ser observado, pela primeira vez, pelo ser humano. Certamente, há 73 mil anos os nossos ancestrais não deram muita bola para ele.

Da próxima vez que Marte vier aqui tão perto, a gente nem pode prever o que estará ocorrendo na Terra. Talvez até os nossos descendentes não se lembrem dessa passagem dele, assim como não sabemos das reacções dos nossos parentes distantes que o viram quando de sua última aparição (será que eles notaram alguma coisa diferente no céu?)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

REVOLUÇÃO NA ALMA

Ninguém é dono da sua felicidade. Por isso, não a entregue nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém.
Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
A razão da tua vida és tu mesmo.
A tua paz interior é a tua meta!
Quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, leva o pensamento para os teus desejos mais íntimos e procura a divindade que existe em ti...
Para de colocar tua felicidade cada dia mais distante.
Não coloques objectivos longe demais de tuas mãos, abraca os que estão ao teu alcance hoje.
Se andas desesperado por problemas financeiros, por amor ou por conflitos, procura em teu interior a resposta para acalmá-los. Tu és reflexo do que pensas diariamente.
Um sorriso no rosto é um bom começo!
Tu estará afirmando para ti mesmo, que está "pronto" para ser feliz.
Trabalha, trabalha muito a teu favor.
Pare de esperar a felicidade sem esforços.
Parea de exigir das pessoas aquilo que nem tu conquistas-te ainda.
Critiqua menos, trabalha mais.
E, não te esqueças nunca de agradecer.
Agradeça tudo que está em tua vida nesse momento, inclusive a dor.
Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja...
Por fim, acredita que não estaremos sozinhos em nossas caminhadas, um instante sequer...
Se nossos passos forem dados em busca de justiça e igualdade!
Essa mensagem termina com um pensamento do filósofo grego Aristóteles:
"A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las."

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

HISTÓRIA DE VIDA

Dona Maria era uma senhora de 92 anos,
Elegante, bem vestida e penteada.
Estava de mudança para uma casa de repouso
Pois o marido, com quem vivera 70 anos,
Havia morrido e ela ficara só...

Depois de esperar pacientemente
Por duas horas na sala de visitas,
Ela ainda deu um lindo sorriso
Quando uma a tendente veio dizer
Que seu quarto estava pronto.

A caminho de sua nova morada, a tendente
Ia descrevendo o minúsculo quartinho,
Inclusive as cortinas de pano florido
Que enfeitavam a janela.
- Ah, eu adoro essas cortinas –
Disse ela, com o entusiasmo de uma garotinha
Que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Mas a senhora ainda nem viu seu quarto...
- Nem preciso ver - respondeu ela.
Felicidade é algo que você decide por princípio.
- E eu já decidi que vou adorar!
É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.
Sabe, eu tenho duas escolhas:
Posso passar o dia inteiro na cama
Contando as dificuldades que tenho
Em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo
Pelas outras partes que ainda me obedecem.

Cada dia é um presente.
E enquanto meus olhos abrirem, vou focalizá-los
No novo dia e também nas boas lembranças que eu guardei
Para esta época da vida.
Você só retira daquilo que você guardou.
Portanto, lhe aconselho depositar um monte
De alegria e felicidade na sua Conta de Lembranças.
E como você vê, eu ainda continuo depositando.
Agora, se me permite, gostaria de lhe dar uma receita.

... 1. Jogue fora todos os números
Não essenciais para sua sobrevivência. Isso inclui
Idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles.
Para isso ele é pago.

... 2. Dê preferência aos amigos alegres.
Os "baixo astral" puxam você para baixo.

... 3. Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador,
Artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso
É a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.

... 4. Curta coisas simples.

... 5. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego.

... 6. Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente.
A única pessoa que acompanha você a vida toda é VOCÊ mesmo.
Esteja VIVO, enquanto você viver.

... 7. Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta:
Pode ser família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby,
o que for. Seu lar é o seu refúgio.

... 8. Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável,
Melhore-a. Se está abaixo desse nível, peça ajuda.

... 9. Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping,
Para a cidade vizinha, para um país estrangeiro,
Mas não faça viagens ao passado.

... 10. Diga a quem você ama, que você realmente o ama,
Em todas as oportunidades.

E LEMBRE-SE SEMPRE QUE:

A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou,
Mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego... de tanto rir...
De surpresa...
De êxtase...
De felicidade!

sábado, 4 de agosto de 2007

A CULTURA DO «SLOW DOWN»

Para ler e meditar com atenção

Os processos globalizados causam-nos a nós (portugueses, brasileiros, argentinos, colombianos, peruanos, venezuelanos, mexicanos, australianos, asiáticos, etc.) uma ansiedade generalizada na busca de resultados imediatos.

Consequentemente, o nosso sentido de urgência não surte efeito dentro dos prazos lentos dos suecos.

Os suecos debatem, debatem, realizam "n" reuniões, ponderações, etc.

¡E trabalham! Com um esquema bem mais “slowdown". O melhor é constatar que, no fim, isto acaba por dar sempre resultados no tempo deles (suecos) já que conjugando a necessidade amadurecida com a tecnologia apropriada, é muito pouco o que se perde aqui na Suécia.

1. A Suécia é do tamanho do estado de São Paulo (Brasil), com 450.000 Km2

2. A Suécia tem apenas nove milhões de habitantes.

3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem apenas 800.000 habitantes (compare-se com Paris, Londres, Berlim, Madrid, mesmo Lisboa…; ou cidades balneares como Mar del Plata, Argentina, onde vivem permanentemente 1 milhão de pessoas, ou ainda a cidade de Rosário, Argentina, com três milhões).

4. Empresas de capital sueco: Volvo, Skandia, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare , etc. Nada mal, ¿nein? Para se ter uma ideia da sua importância basta mencionar que a Volvo fabrica os motores de propulsão para os foguetões da NASA.

Os suecos podem estar enganados, mas são eles que me pagam o salário. Devo referir que não conheço nenhum outro povo com uma cultura colectiva superior à dos suecos.

Vou contar-vos uma pequena história, para ficarem com uma ideia:

A primeira vez que fui para a Suécia, em 1990, um dos meus colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Estávamos em Setembro, já com algum frio e neve.

Chegávamos cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2000 empregados que vão de carro para a empresa). No primeiro dia não fiz qualquer comentário, nem tão pouco no segundo ou no terceiro.

Num dos dias seguintes, já com um pouco mais de confiança, uma manhã perguntei-lhe:

"¿Vocês têm aqui lugar fixo para estacionar? Chegamos sempre cedo e com o parque quase vazio estacionas o carro mesmo no seu extremo…

E ele respondeu-me com simplicidade:

“É que como chegamos cedo temos tempo para andar, e quem chega mais tarde, já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. ¿Não te parece?"

Imaginem a minha cara! Esta atitude foi a bastante para que eu revisse todos os meus conceitos anteriores.

Actualmente, há um grande movimento na Europa chamado "Slow Food". A “Slow Food International Association”, cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede em Itália (o site na Internet é muito interessante.
www.slowfood.com)

O que o movimento Slow Food preconiza é que se deve comer e beber com calma, dar tempo para saborear os alimentos, desfrutar da sua preparação, em família, com amigos, sem pressa e com qualidade.

A ideia é contraposição ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida.

Verdadeiramente surpreendente, é que este movimento de Slow Food está a servir de base para um movimento mais amplo chamado “Slow Europe” como salientou a revista Business Week numa das suas últimas edições europeias.

Na base de tudo isto está o questionamento da “pressa” e da “loucura” gerado pela globalização, pelo desejo de "ter em quantidade" (nível de vida) em contraponto ao "ter em qualidade", “Qualidade de vida" ou “Qualidade do ser".

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, ainda que trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos e ingleses. E os alemães, que em muitas empresas já implantaram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade aumentar uns apreciáveis 20%.

A denominada "slow attitude" está a chamar a atenção dos próprios americanos, escravos do "fast" (rápido) e do "do it now!" (¡faça já!).

Portanto, esta "atitude sem pressa" não significa fazer menos nem ter menor produtividade.

Significa sim, trabalhar e fazer as coisas com "mais qualidade" e "mais produtividade", com maior perfeição, com atenção aos detalhes e com menos stress.

Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do prazer dum belo ócio e da vida em pequenas comunidades.

Do "aqui" presente e concreto, em contraposição ao "mundial" indefinido e anónimo.

Significa retomar os valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver, e até da religião e da fé.

SIGNIFICA UM AMBIENTE DE TRABALHO MENOS COERCIVO, MAIS ALEGRE, MAIS LEVE, E PORTANTO MAIS PRODUTIVO, ONDE OS SERES HUMANOS REALIZAM, COM PRAZER, O
QUE MELHOR SABEM FAZER

É saudável reflectir sobre tudo isto. ¿Será que os antigos provérbios: “Devagar se vai ao longe" e “A pressa é inimiga da perfeição" merecem novamente a nossa atenção nestes tempos de loucura desenfreada?

¿Não seria útil e desejável que as empresas da nossa comunidade, cidade, Estado ou país, começassem já a pensar em desenvolver programas sérios de “qualidade sem pressa" até para aumentarem a produtividade e a qualidade dos produtos e serviços sem necessariamente se perder “qualidade do ser"?

No filme "Perfume de Mulher" há uma cena inesquecível na qual o cego (interpretado por Al Pacino) convida uma jovem para dançar e ela responde: "Não posso, o meu noivo deve estar a chegar". Ao que o cego responde: “Num momento, vive-se uma vida", e leva-a a dançar um tango. É o melhor momento do filme, esta cena que dura apenas dois ou três minutos.

Muitos vivem a correr atrás do tempo, mas só o alcançam quando morrem, quer seja de enfarte ou num acidente na auto-estrada por correrem para chegar a tempo.

Ou outros que, tão ansiosos para viverem o futuro, esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que realmente existe.

O tempo é o mesmo para todos, ninguém tem nem mais nem menos de 24 horas por dia.

A diferença está no que cada um faz do seu tempo. Temos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, “A vida é aquilo que acontece enquanto planeamos o futuro".

Parabéns por teres conseguido ler esta mensagem até ao fim.

Decerto haverá muitos que leram só metade para "não perder tempo" tão valioso neste mundo globalizado.