sábado, 21 de novembro de 2009

HEROÍSMO MATERNO















Foi em dezembro de 1944 que tudo começou. Camiões chegaram no campo de concentração de Bergen-Belsen e despejaram 54 crianças. A mais velha tinha 14 anos e havia muitos bebês.
No alojamento das mulheres, Luba Gercak dormia. Acordou sua vizinha de beliche e lhe perguntou: Está escutando? É choro de criança.
A outra lhe disse que voltasse a dormir. Ela devia estar sonhando. Todos conheciam a história de Luba. Ainda adolescente se casara com um marceneiro e tiveram um filho, Isaac.
Quando veio a guerra, os nazistas lhe arrancaram dos braços o filho de três anos e o jogaram em um camião, junto com outras crianças e velhos.
Todos inúteis para o trabalho e, portanto, com destino certo: a câmara de gás.
Logo mais, ela pôde ver um outro camião arrastando o corpo, sem vida, do marido.
No primeiro momento, desistira de viver. Depois, a fé lhe visitou a alma e ela percebeu que Deus esperava muito mais dela. Então, passou a ser voluntária nas enfermarias.
Agora, Luba ouvia choro de crianças. Quem seriam?
Abriu a porta do alojamento e viu meninos, meninas, bebês apinhados, em choro, no meio do campo. Separados de seus pais, se encontravam desnorteados e tinham fome e frio.
Luba as trouxe para dentro. E porque protestassem as demais ocupantes do infecto alojamento, ela as repreendeu, dizendo:
Vocês não são mães? Se fossem seus filhos, diriam para que eu os deixasse morrer de frio? Eles são filhos de alguém.
Em verdade, o que suas companheiras temiam era a fúria dos soldados da SS.
Luba agradeceu a Deus por lhe ter enviado aquelas crianças. O seu filho morrera, mas faria tudo para que aquelas crianças vivessem.
Foi até o oficial da SS no acampamento e lhe contou o que fizera. Pôs sua mão no braço dele e suplicou.
Ele se deu conta que ela o tocara, o que era proibido, e lhe aplicou um soco em pleno rosto, fazendo-a cair.
Ela se levantou, o lábio sangrando e falou: Sou mãe. Perdi meu filho em Auschwitz.Você tem idade para ser avô. Por que há de querer maltratar crianças e bebês?
Fique com elas, foi a resposta seca do oficial.
Mas ficar com elas não era suficiente. Era necessário alimentá-las. Nos dias que se seguiram, todas as manhãs, ela ia ao depósito, à cozinha, à padaria, implorando, barganhando e roubando alimentos.

Os meninos ficavam à janela e quando a viam chegar diziam uns aos outros: Lá vem irmã Luba. Ela traz comida pra nós!
À noite, ela cantava canções de minar e as abraçava. Era a mãe que lhes faltava. As crianças, que falavam holandês, não entendiam as palavras de Luba, que era polonesa, mas compreendiam seu amor.
Em 15 de abril de 1945, os tanques britânicos entraram no campo, vitoriosos, e em seis idiomas passaram a rugir os alto-falantes: Estão livres! Livres!
Luba conseguira salvar 52 das 54 crianças que adotara como filhos do coração.
* * *
Em abril de 1995, 50 anos após a libertação, cerca de 30 homens e mulheres se reuniram na Prefeitura de Amsterdã para homenagear aquela mulher.
Recebeu, em nome da rainha Beatriz, a Medalha de Prata por Serviços Humanitários.
No entanto, declarou que sua maior recompensa era estar com aqueles seus filhos que, com o apoio de Deus, conseguira salvar da sombra dos campos da morte.
Por isso tudo nunca pensemos que somos muito pequenos para lutar pelas grandes causas ou que estamos sós. Quem batalha pela justiça, tem um insuperável aliado que se chama Deus, nosso Pai.

9 comentários:

Marta disse...

Obrigada pela visita...
Esquecermo-nos um pouco de nós próprios e darmo-nos aos outros....
nem todos o fazem...
Beijos e abraços
Marta

Barbara disse...

Às vezes a vida nos leva a fazer o que tem que ser feito e as pessoas que têm a coragem para tal -merecem ser olhadas como modelos.
Mas será que alguma mulher muito maternal está fazendo algo pelas crianças palestinas hoje?
Apenas uma observação.

direitinho disse...

Esta história comoveu-me. Faz lembrar o nosso mundo pequeno e egoista.Faz lembrar os dias em que fechamos as portas aos mais velhos ou pior um pouco às crianças.
Lembrou-me a Madre Teresa.
Aquela capacidade de amar e respeitar os mais fracos e abandonados.
O mundo hoje precisa de pessoas com essa capacidade
=Amar e Respeitar=
Como Portugal seria bonito e bom se os nossos políticos fossem assim.
Porem vivemos vivemos os dias a desculpar erros e crimes. Vivemos alheados da tristeza e sofrimento alheio, mesmo à nossa beira.
Agradeço a visita e o comentário.
Espero que voltem e que ajudem numa mensagem melhor em cada dia.

Chica disse...

Que lindo texto com uma linda mensagem! Foi bom te conhecer! beijos e tudo de bom,chica

Eduardo Aleixo disse...

Naty e Carlos

História comovente e lição de Amor. Amor com A grande, que nada espera em troca. Foi bom ler esta história. É sempre bom lembrarmo-nos de que somos também os outros, que os outros somos nós, que somos todos filhos de Deus.
Obrigado por terem visitado o meu cantinho, À Beira de Água. Vim retribuir a visita e o vosso cantonho é bom. Boa semana.

mundo azul disse...

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Que maravilhosa história! Mesmo em meio às sombras, há sempre uma luz esperando para brilhar...



Beijos de luz e o meu carinho!

Obrigada, pela visita...


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Caterina disse...

É una storia molto bella e commovente. Dimostra bene la forza e il coraggio delle vere donne.Dio la benedica.
Sono molto belli i vostri post.
Un grande abbraccio

GarçaReal disse...

A maravilha da dádiva desinteressada e apenas movida pela palavra amor.

Lindo

Bjgrande do lago

C Valente disse...

Por aqui naveguei e gostei
saudações amigas