quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

VIRTUDE CELESTE



















Se a noite te surpreendeu de coração ferido ou de cérebro cansado por amargos arrependimentos, não te abandones à dor que te parece irremediável...

Enquanto a sombra se estende ao longo do caminho, e a ventania sopra, qual lamentoso grito de angústia, olha as estrelas que cintilam nas alturas e segue adiante, ao encontro do novo dia.

Não podes? Tremem-te os pés sob o fardo da aflição? Enrijeceram-se as fibras da tua alma e não consegues nutrir um novo sonho?

Ergue uma prece à esperança, esse génio da luz que nos permite antever o porvir imenso.

Recolhe-te à oração e ela virá, doce e infatigável enfermeira, acalmar as chagas interiores e sustentar-te as energias semimortas.

Atende-lhe o apelo carinhoso e prossegue sem desfalecimento.

Não permitas que o elixir entorpecido da inércia ou o fel corrosivo do sofrimento te enfraqueça.

Aceita as sugestões do génio amigo e reflecte...

Sentirás no próprio coração dores maiores que a tua, os pavores dos grandes infelizes, as úlceras cancerosas de milhões que, até agora, tu não conseguias ver.

Então, inefável consolo baixará do Céu sobre a tua dor, aquietando-te a ânsia.

Inexprimíveis sentimentos desabrocharão em teu Espírito, e teus braços se abrirão para acolher as dores ignoradas dos seres mais humildes da Terra.

Nem todos sabem avaliar essa virtude celeste. Muitos a transformam em vinagre de impaciência ou em tortura mortal, convertendo-lhe a bênção em estilete da enfermidade.

Felizes, porém, daqueles que lhe guardam a sublime claridade no âmago do Espírito, porque verão a sabedoria do tempo, adquirindo com a vida a ciência da paz.

Espera! - Diz a noite - O dia voltará.

Espera! - Clama a semente - O fruto não tarda.

Espera! - Anuncia a justiça - E tudo recomporei.

Bem-aventurados, pois, quantos no mundo sabem aprender, servir e esperar!


Suporta com coragem o fardo da tua dor, avançando na estrada da vida heroicamente, ainda que seja um centímetro por dia...

Lembra-te de que hoje, a noite maternal te enxugará o pranto com o repouso obrigatório, e de que amanhã o dia voltará, renovando todas as coisas.

Lembra-te, ainda, que a esperança sempre surge com os primeiros raios da aurora.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

PALAVRAS QUE FAZEM A DIFERENÇA
















Muitos dos que alcançam o sucesso o devem a palavras de estímulo de alguém.

Uma pessoa, professor, pai, esposa, amigo que confiou na capacidade dele e o incentivou a perseguir seus sonhos.

Por vezes, é somente apoio moral. De outras, ainda há algum gesto especial que motiva a criatura a tomar a decisão e ir em frente.

Conta-se que um escritor de renome, desde criança tinha um dom especial para criar histórias.

Morando em um país onde alguns privilegiados tinham acesso à instrução, Amir se divertia lendo histórias e romances para um amigo seu.

Em verdade, o amigo era filho do empregado de seu pai. Por consequência, conforme o costume local, o menino era seu empregado.

Quase um escravo. Sempre pronto para tudo. Pois Amir gostava de ler. E o outro, de ouvir.

Nas tardes quentes, iam para debaixo de uma árvore, deitavam-se na relva e começavam seu ritual.

Numa dessas oportunidades, Amir pensou em pregar uma peça para o amigo.

Em vez de ler exactamente como estava no livro, começou a inventar a sequência do enredo.

Quando concluiu, o amigo bateu palmas e lhe disse: Que história linda, Amir! Você devia ler mais histórias como essas.

Amir se surpreendeu. Tudo tinha saído de sua cabeça. Mas será que dava para confiar na opinião de um analfabeto?

Por isso, quando chegou em casa, escreveu seu primeiro conto. Uma história triste de um homem e de uma mulher que se amavam.

Mas, depois de um tempo, pela ambição do esposo, a felicidade se diluiu pois ele preferiu trocar as carícias da esposa por adquirir somas e somas de dinheiro.

Quando concluiu, Amir mostrou a história para o sócio de seu pai. Isso porque o pai nunca tinha tempo para ele, sempre imerso no mar dos negócios.

O sócio levou o conto para seu escritório e, no dia seguinte, o devolveu com um embrulho.

Quando Amir abriu o pacote, encontrou um caderno de capa de couro castanho e um bilhete:

Adorei a sua história. Deus lhe concedeu um talento especial.

Cabe a você, agora, aperfeiçoar esse talento, pois alguém que desperdiça os talentos que Deus lhe deu é simplesmente tolo.

Você escreve correctamente do ponto de vista gramatical e tem um estilo interessante.

Minha porta está e sempre estará aberta para você. Estou pronto para ouvir qualquer história que tenha para contar! Bravo!

Seu amigo, Rahim.

Foi nesse caderno que Amir passou a escrever as suas histórias.

Anos depois, escritor consagrado, voltou a encontrar Rahim e lhe falou do caderno castanho. E de como aquele bilhete tivera importância em sua vida.

As palavras de dois amigos o fizeram definir-se pelo que sempre ele desejara e seu pai não apoiava.


A palavra foi dada ao homem para grandes coisas. Embora alguns a utilizem para a destruição, os homens de sabedoria dela se servem para edificação do Mundo melhor.

Envolvendo-a em afecto, sustentam vidas prestes a acabar.

Gravando com correcta adjectivação, incentivam o bem, os ideais nobres.

Desta forma, pense ao falar que, do seu verbo, pode depender a vida de muitos que o rodeiam.

Pondere, pois, sempre, antes de falar e fale com sabedoria, edificando, estimulando, incentivando.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

PERDÃO DE MÃE














A notícia chocou todos os habitantes da pequena república de Palau, na Micronésia.

Um casal e seu filho, assassinados dentro de sua própria casa, por um homem de nome Justin, que buscava apenas alguns bens de consumo para roubar.

O funeral de Ruimar de Paiva e sua família, foi acompanhado por cerca de quatrocentas pessoas na cidade de Koror, entre elas o Presidente da República, profundamente abalado.

Um evento, porém, marcou para sempre a vida daqueles habitantes.

Presentes estavam a mãe de Ruimar de Paiva e, também, a mãe do assassino.

Dona Ruth de Paiva, profundamente emocionada, ao fazer um pronunciamento aos presentes, pede a presença da mãe de Justin ao seu lado.

As pessoas ficam em silêncio, quase sem respirar, imaginando o que poderia acontecer naquele momento.

Dona Ruth, tremula, pega nas mãos da outra mãe, levanta-as em direcção aos presentes, e afirma:

Aqui estão duas mães... Estou certas de que a mãe de Justin orou muitas vezes por seu filho, e estou certa de que seu coração está terrivelmente ferido.

A Sra. de Paiva contém as lágrimas, e termina dizendo:

Eu apenas desejo dizer à mãe de Justin que estarei orando por ela... E por Justin.

Segundo declaração do Presidente da República de Palau, que assistiu à cerimónia fúnebre, a habilidade da Sra. Paiva em perdoar, permitia à nação começar um processo de cura.

Disse ainda que perdoar, quando o incidente é tão recente, ajudou muitas pessoas a olharem além da tragédia, e verem que podemos nos perdoar e viver juntos.
* * *
Você seria capaz de perdoar, passando por uma situação dessas?

É natural que a resposta da maioria de nós ainda seja negativa. O perdão ainda se faz difícil no coração das almas da Terra.

Mas exemplos como este, que felizmente já são muitos neste Mundo, vêm nos dizer que é possível, que somos capazes de perdoar.

A busca de uma vida mais feliz nos leva pelo caminho do perdão, sem dúvida alguma. Sem esquecer as mágoas, sem abandonar a vingança, não encontraremos dias melhores, tal qual sonhamos.

Ninguém consegue alçar voos, carregando o peso do ressentimento no Espírito.

Perdoar é nos libertar da angústia, do medo, do ódio.

Quem perdoa compreende a justiça de Deus, que tudo vê e que nos faz sempre os únicos responsáveis por nossos actos.

Quem perdoa encontra uma nova forma de amar, a da compaixão, que vê o agente do mal como alguém que sofre, e precisa de ajuda.
* * *
Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio;

Perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era.

Se fordes duros, exigentes, inflexíveis, se usardes de rigor até por uma ofensa leve, como querereis que Deus esqueça de que cada dia maior necessidade tendes de indulgência?

Trabalhemos pelo perdão. Aprendamos como perdoar, dia após dia, experiência após experiência.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A ARTE DE FORMAR CARACTERES


















A prática e as pesquisas realizadas por psicólogos demonstram a necessidade de se repensar a questão da educação dos filhos.
Depois que as experiências provaram que o método do autoritarismo, aplicado por nossos pais, estava ultrapassado e de certa forma ineficiente, optou-se por outro método menos eficaz e até danoso: o da "liberdade sem responsabilidade".
Considerada por alguns psicólogos como prejudicial ao desenvolvimento sadio da criança, a palavra "não" foi banida do vocabulário de muitos pais, que hoje amargam profundamente a total falta de controle sobre a prole.
Sem examinar a questão com mais cuidado, os pais modernos aceitaram a filosofia do "tudo pode", não levando em conta a necessidade de se estabelecer limites para que haja harmonia dentro do lar.
Depois de perder o controle da situação, muitos apelaram para outro método desastroso: o da barganha.
Impotentes diante da teimosia dos filhos, criados sem as normas básicas de disciplina, os pais se perdem nos labirintos das "compensações", em que tudo é negociado.
Se é hora de ir para a cama e o filho não obedece, a mãe logo lança mão de algum motivo para a "negociata": "se você for dormir a mamãe deixa você jogar aquela fita de "game" violenta, que você tanto gosta".
Nesse caso bastaria que a mãe, consciente da sua missão de educadora, tomasse seu filhos pela mão e o conduzisse com carinho e firmeza para a cama.
Ou, ainda, se é hora do banho e o "anjinho" faz corpo mole, a mãe logo faz outro "trato", esquecendo-se de que quando mais se negocia com a criança, mais ela exigirá para cumprir sua obrigação.
Alguns psicólogos defendem a volta do autoritarismo na educação dos filhos, mas isso já ficou provado que não dá bons resultados. Seria "domesticação" ao invés de educação.
Considerando-se que a educação, é a arte de formar caracteres, temos de convir que a barganha somente servirá para "deformar" os caracteres dos nossos educandos.
Ademais, se levarmos em conta que nossos filhos são espíritos encarnados que vêm do espaço para progredir, trazendo em si mesmos as experiências de outras existências, boas ou não, entenderemos que a grande missão dos pais é conhecer-lhes a intimidade a ajudá-los a caminhar para Deus.

Nossos filhos são seres inteligentes, que não aceitam somente um "não" como resposta. Eles merecem e precisam de uma explicação coerente. Não falamos de justificativas, mas de diálogo.
Se existe um horário para dormir, se é preciso tomar banho, se não podemos comprar este ou aquele brinquedo, a criança tem o direito de saber porque.
Dizendo, por exemplo, que não compramos o brinquedo que ela tanto queria porque o orçamento não comporta, ela entenderá, ao passo que se dissermos um "não" somente, ela ficará revoltada, pensando que não compramos por má vontade.
Tudo isso requer muito investimento, que não quer dizer "perda de tempo", como muitos pais afirmam. Investimento de tempo, paciência, afeto e carinho. A tarefa não é tão difícil e certamente é mais eficaz.
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Santo Agostinho fez a seguinte advertência em o Evangelho Segundo o Espiritismo: "lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: que fizestes do filho confiado à vossa guarda?
Se por culpa vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo entre os espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso."
Pensemos nisso!