sexta-feira, 26 de março de 2010

UM TEMPO A MAIS














No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem em um banco, perto do lago

Aquele, logo ali, é meu filho disse ela, apontando para um pequeno menino usando um polo vermelho e que deslizava no escorregão

Um bonito garoto respondeu o homem, e completou: aquela, usando vestido branco, pedalando sua bicicleta, é minha filha.

Então, olhando o relógio, o homem chamou a menina. Filha, o que você acha de irmos?

A garota suplicou: mais 5 minutos, pai. Por favor. Só mais 5 minutos. O homem concordou e mariana continuou pedalando sua bicicleta, para alegria de seu coração.

Os minutos se passaram e o pai levantou-se novamente e falou para a filha: hora de ir agora?

Outra vez ela pediu: mais cinco minutos, papai. Só mais cinco minutos. O homem disse: está certo!

O senhor certamente é um pai muito paciente! Falou a mulher.

O homem, com um sorriso um tanto melancólico, falou: o meu filho mais velho foi morto por um motorista bêbado no ano passado, quando pedalava sua bicicleta perto daqui.

Eu nunca passei muito tempo com ele e agora eu daria qualquer coisa por apenas mais cinco minutos com meu filho.

Eu me prometi não cometer o mesmo erro com a irmã dele.

Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta. Mas, na verdade, eu é que tenho mais cinco minutos para vê-la brincar.

Com a agitação da vida moderna nem sempre nos damos conta da importância de dedicar um pouco mais de tempo para nossos amores.

Sob o império do relógio, estamos sempre apressados, atrasados, atropelados e atropelando os passos despreocupados dos pequerruchos.

Tanto isso é uma realidade, que encontramos muitas crianças contaminadas pelas neuroses dos pais.

Num período de tempo em que a criança deveria andar devagar, observar o mundo ao seu redor, esse mundo totalmente novo para ela, muitas já são vítimas da correria desenfreada que os pais lhes impõem.

A criança entra numa roda viva em que não tem tempo de brincar, de conversar com um amiguinho, de observar despreocupadamente uma vitrina, uma cena da natureza, pois é arrastada pelas mãos nervosas de pais que estão sempre correndo, sempre em busca de um tempo que já se foi.

Você que é mãe ou pai, faça uma pequena pausa no seu dia, repense suas actividades, estabeleça prioridades e considere a importância de 5 minutos a mais de atenção aos filhos. Sejam eles crianças, adolescentes, jovens ou adultos.

Dia desses, uma mãe nos disse que seu filho é uma pérola preciosa de valor incalculável. E falou isto com o coração cheio de ternura. O filho tem quase 30 anos, mas a mãe o conhece muito bem e sabe o valor que ele tem.

Certamente ela o acompanha desde o ventre, dando-lhe atenção e carinho sem se preocupar com o relógio, embora não negligenciando com suas obrigações.

Hoje em dia, muitos pais só sabem enumerar os defeitos dos filhos, porque não têm tempo de conhecer suas virtudes, nem de apreciá-las.

O que ressalta é sempre o fato de estarem atrasados para levantar, para se deitar, para ir à escola ou ir para o curso disto ou daquilo.

O tempo passa breve e um dia os filhos crescem, se casam, ou viajam para a pátria espiritual. E deixam, nos pais descuidados, uma enorme sensação de vazio, por não ter percebido que os minutos se transformaram em anos.

Por todas essas razões, pare um pouco e se pergunte: quais são as minhas prioridades?

E pense na possibilidade de dar a alguém que você ama mais cinco minutos de seu tempo, ainda hoje!


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sábado, 20 de março de 2010

AO MEU PAI

Recordo-o ainda. Ele saiu, em um dia de sol, para viajar e nunca mais retornou para nossos olhos físicos.
Quando o trouxeram, era somente um corpo dentro de um caixão. Lacrado, ao demais, tendo em vista os dias passados desde a sua morte.
Meu pai era um homem alegre. Gostava de música, de dança, de estar com amigos, conversar, contar casos.
E ele os tinha às centenas. Toda vez que retornava de viagem, os filhos, éramos três os menores, nos reuníamos em torno da mesa, na cozinha ampla, para ouvi-lo.
Ele contava casos de forma pausada. Ia descrevendo as cenas, uma a uma, reproduzia os diálogos.
Por vezes, meu irmão e eu, mais impacientes, o interrompíamos: E daí, o que aconteceu? Conta logo.
Ele sorria mostrando seus dentes curtos, bem moldados. E continuava com a mesma calma, até o desfecho da história.
Tê-lo em casa era muito bom e significava que um de nós iria dormir na cama dos pais.
Por vezes, nossa mãe nos dizia que desejava ficar a sós com ele. Mas, mal despertava a madrugada, quem primeiro acordasse, corria para o quarto e se enfiava entre os dois.
Ele acordava e brincava connosco, fazendo cócegas, jogando travesseiro. Era uma festa!
Meu pai! Quantas saudades! Ele não era letrado. Desde bem jovem conhecera o trabalho duro
Constituíra família cedo e os cinco filhos lhe exigiam que desse o máximo de si.
Insistia que precisávamos estudar. E estudar muito. Com grande custo, pagou para cada um de nós o ensino fundamental, em escola particular.
Escolheu a melhor escola da cidade. Pagou cursos de piano, acordeão, violino para minha irmã, que cedo entrou para o mundo da música.
Meu irmão e eu não chegamos a tanto, mas fomos brindados com o que ele tinha de mais precioso.
Ensinou-nos a honestidade, ensinou-nos que melhor era ser enganado do que enganar.

Viveu no tempo em que a palavra de um homem era documento mais válido do que nota promissória, duplicata ou qualquer título financeiro.
Legou-nos um nome honrado e disse-nos que o dignificássemos, ao longo de nossa vida.
Olhava para mim, com orgulho e dizia: Um dia você será uma pessoa muito importante!
hoje, quando viajo pelas estradas, muitas delas velhas conhecidas de meu pai, eu o recordo.
Será que ele sabia que um dia eu seria alguém que viajaria, esclarecendo pessoas, ofertando cursos?
Ele não conheceu todos os netos. Partiu para a Espiritualidade, em anos jovens, deixando-nos um grande silêncio na alma.
Em homenagem a ele, em nossos aniversários, nas festas de Natal e Ano Novo, nos encontramos.
Rimos, ouvimos música, dançamos. Porque ele nos ensinou a sermos assim.
A vida é dura, mas nós a podemos adoçar, se quisermos. - É o que dizia.
Meu pai, meu mestre, onde estejas, Deus te guarde. Especialmente nesta época em que os pais são recordados pelos filhos, que os brindam com presentes
Meus irmãos e eu te brindamos com a prece da nossa gratidão: Obrigado por nos terdes dado a vida.
Obrigado por nos terdes ensinado a bem vivê-la.

sábado, 6 de março de 2010

SE NÃO HOUVER AMANHÃ



















Sabes, eu que costumava deixar muitas coisas para amanhã, resolvi te dizer, hoje, o quanto tu és importante para mim, porque quando acordei pela manhã, uma pergunta ressoava na acústica de minha alma: “e se não houver amanhã?”
Então hoje eu quero estar um pouco mais ao teu lado, ouvir tuas ideias com mais atenção, observar teus gestos mais singelos, decorar o tom da tua voz, teu jeito de andar, de correr, de abraçar.
Porque... se não houver amanhã... eu quero saber qual é tua comida preferida, a música que tu mais gostas, a tua cor predilecta...
Hoje eu vou observar teu olhar, descobrir teus desejos, teus anseios, teus sonhos mais secretos e tentar realizá-los.
Porque, se não houver amanhã... Eu quero ter gravado em minha retina o teu sorriso, teu jeito de ser, tuas manias...
Hoje eu quero fazer uma prece ao teu lado, descobrir contigo essa magia que te traz tanta serenidade, quero subir aos céus contigo, pelos fios invisíveis da oração.
Hoje eu vou me sentar contigo na relva macia, ouvir a melodia dos pássaros e sentir a brisa acariciando meu rosto, colado ao teu, em silêncio... E sem pressa.
Hoje eu vou te pedir por favor, agradecer, me desculpar, pedir perdão, se for necessário.
Sabes, eu sempre deixei todas essas coisas para amanhã, mas o amanhã é apenas uma promessa... o hoje é presente.
Assim, se não houver amanhã eu quero descobrir hoje qual é a flor que tu mais gostas e te oferecer um belo ramo.
Quero conhecer teus receios, te aconchegar em meus braços e te transmitir confiança...
Hoje, quando tu fores te afastar de mim, vou segurar tuas mãos e pedir para que fiques um pouco mais ao meu lado.
Sabes, eu sempre costumo deixar as palavras gentis para dizer amanhã, carinhos para fazer amanhã, muita atenção para prestar amanhã, mas o amanhã talvez não nos encontre juntos.
Eu sei que muitas pessoas sofrem quando um ser amado embarca no trem da vida e parte sem que tenham chance de dizer o que sentem, e sei também que isso é motivo de muitos remorsos e sofrimentos.
Por isso eu não quero deixar nada para amanhã, pois se o amanhã chegar e não nos encontrar juntos, tu saberás tudo o que sinto por ti e saberei também o que tu sentes por mim.
Nada ficará pendente...
Quero registrar na minha alma cada gesto teu.
Quero gravar em meu ser, para sempre, o teu sorriso, pois se a vida nos levar por caminhos diferentes eu ter-te-ei comigo, mesmo estando temporariamente separados.
Sabes, eu não sei se o amanhã chegará para nós, mas sei que hoje, hoje eu posso dizer-te o quanto tu és importante para mim.
Sejas tu meu filho, minha filha, meu esposo ou esposa, um amigo talvez, tu vais saber hoje, o quanto és importante para mim... Porque, se não houver amanhã...

Amanhã o sol será o mesmo mensageiro da luz, mas as circunstâncias, pessoas e coisas, poderão estar diferentes.

Hoje significa o momento de agir, semear, investir nas possibilidades afectivas em favor daqueles que convivem contigo.
Hoje é o melhor período de tempo na direcção do tempo sem fim...