sexta-feira, 18 de junho de 2010

NA RELAÇÃO A DOIS



















Enquanto muitos apregoam o fim das relações familiares e observa-se uma diminuição do afecto em tantos casais, encontra-se, em contrapartida, exemplos que tocam fundo a alma. Contou-nos uma senhora que há alguns meses, em exames de rotina, foi-lhe constatada um início de diabetes.

O exame estava ali, mostrando a alta taxa de glicose. Sua primeira reacção foi vestir-se de tristeza.

Pensou que bem podia diminuir ou até eliminar os farináceos, os tubérculos, o arroz. Mas, os doces... Como poderia ficar sem eles?

Ela já tivera anteriormente outros problemas de saúde, bastante sérios. Mas para se recuperar impusera-se um rigoroso ritmo de vida.

Abrira mão de tantas coisas, pensava. Mas agora, teria que se privar também dos doces. Doces que ela adorava fazer e saborear.

Com que prazer criava novas receitas e oferecia pratos saborosos à família e aos amigos.

Contou ao marido e ficou imaginando como poderia iniciar a nova dieta. E quando o faria. Naturalmente, o médico a iria orientar melhor e dizer-lhe exactamente como proceder dali em diante.

O retorno ao equilíbrio orgânico exigia que a decisão fosse imediata. Entretanto, ela aguardou alguns dias.

Dias que passaram lentos. Finalmente, decidiu refazer todos os exames. Outro médico. Outro laboratório. Nova colecta de material.

Dias depois, o marido foi buscar os resultados no laboratório. Retornou ao lar e, mal estacionou o carro, entrou em casa chamando as filhas, a esposa, todos.

Na mão direita, um envelope que sacudia sem parar. Perante o silêncio que se fez, ele abriu o envelope e disse, eufórico: "este exame diz que você, meu bem, está com a dosagem de glicemia absolutamente normal. Deve ter ocorrido um engano anteriormente. Não importa.

O que importa mesmo é que você poderá continuar a comer doces. E nós vamos comemorar. Porque agora eu posso voltar a ficar feliz, sabendo que você não precisará se submeter a mais essa dieta, privando-se de algo que você gosta tanto."

Abraçou a esposa, as filhas, entre a emoção e a inesperada alegria. Isto se chama amor. Alguém que se importa tanto com o outro, que se alegra quando descobre que aquele não necessitará de mais um sacrifício para prosseguir a viver.

Alegra-se com a alegria dele. Entristece-se com a sua problemática.

Benditos os casais que levam a vida assim, mesmo depois de muitos anos de convívio, e ainda que os olhos já não guardem o mesmo brilho dos tempos do namoro.

Casais que compartilham tudo. A dor, a alegria, o desconforto. Que se apoiam mutuamente nos dias de necessidades. Pensem nisso Enquanto seguem a dois, lembrem-se de usar a ternura, sempre que seja possível

Lembrem ao cônjuge que o amor ainda prossegue fazendo vibrar o nosso coração.

Encontra palavras de carinho para enfeitar o dia de quem segue ao seu lado na vida.

Recorda enfim, que a relação conjugal é uma oportunidade de progresso e redenção e que não foi o acaso que os reuniu.

E não se canse de utilizar a frase sempre aguardada dos lábios de quem ama: "amo –te meu amor.”

14 comentários:

direitinho disse...

Gostei da história e devo acrescentar que a vida do casal se faz quando existe partilha e quando se vive nessa relação do bem estar do outro.
Porém sabendo que a senhora já teve outros problemas deverá evitar o mais possível os doces.
A qualquer momento a glicémia poderá voltar. Basta que o nosso organismo comece a apresentar sintomas de cansaço e desgaste.

Naty e Carlos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Everson Russo disse...

A vida de casal é boa quando se divide tudo,,desde aos sonhos mais loucos ao segredo mais santo,,,,beijos de otima semana .

Alguém... disse...

Espero um dia ter assim uma vida, partilhar a minha vida com algúem :)

Retribuo o beijinho*

Chica disse...

Lindo texto esse!Um abração,tudo de bom,chica

Jorge Pimenta disse...

naty e carlos, um agradecimento por terem passado lá no viagens de luz e sombra. também aqui vos deixo o meu carinho e os parabéns pelo vosso blogue!
um abraço!

Multiolhares disse...

É lindo quando vimos assim um casal, pena que existam tão poucos
beijinhos

Livinha disse...

Minha querida, muito bom ler o texto aqui postado em teu recanto.
Não posso esconder que as lágrimas desceram-me o rosto, revivendo a minha história.
Esse amor forte e preciso, amor disponível de doação. Esse amor sem egoismo, quando a alegria do outro é alegria que se procura mutuamente. Qdo o reviver das tristezas, faz sofrimento em ambos na mesma intensidade com que se sente.
Vivi tudo isto, mas não deixei ainda de viver, ainda que a outra metade tenha feito a incrível viagem de retorno a sua origem, os laços não se rompem e a gente passa viver nas vibrações positivas desse amor que mesmo aparente "distante" continua bem perto no coração, no espiritual da gente.
Deus abençoe tua vida e as palavras benditas repassadas por esse amor que se sente a outros tantos casais que assim anseiam por viver.

Parabéns e felicidades

Bjs

Livinha

sarah disse...

Os relacionamentos estão acabando, o amor se esfriando,
mas faz parte porque nada é pra sempre.
Só que a hora certa pra acabar é fatal!

Valéria Sorohan disse...

Teu texto tão sensível mexeu comigo. Me fez recordar duas alma que os anjos me mostraram - meus avós. E me deu saudades de um futuro que ainda não vivi.

BeijooO*

Carmo disse...

Belo texto este. A partilha e o diálogo, também são remédios para uma relação duradoura.
Abraço
Bom fim-de-semana

Canto da Boca disse...

É muito bom saber que existem pessoas como vocês, compartilhando pensamentos e vivências tao humanas. Obrigada por existirem e por terem ido ao Canto.
Deixo beijos e desejos de dias felizes, sempre!

Por que você faz poema? disse...

Viver a dois, ainda parece ser a melhor equação.

FREITAS disse...

Belo texto.

Abraços.