domingo, 17 de outubro de 2010

QUANDO OS FILHOS CRESCEM



















Há um momento, na vida dos pais, em que eles se sentem órfãos. Os filhos, dizem eles, crescem de um momento para outro.
É paradoxal. Quando nascem, pequenos e frágeis, os primeiros meses parecem intermináveis. Pai e mãe se revezam à cata de respostas aos seus estímulos nos rostinhos miúdos.
Desejam que eles sorriam, que agitem os bracinhos, que sentem, fiquem em pé, andem, tudo é uma ansiosa expectativa.
Então, um dia, de repente, ei-los adolescentes. Não mais os passeios com os pais, nos finais de semana, nem férias compartilhadas em família.
Agora tudo é feito com os amigos.
Olham para o rosto do menino e surpreendem os primeiros fios de barba, como a mãe passarinho descobre a penugem nas asas dos filhotes. A menina se transforma em mulher. É o momento dos voos para além do ninho doméstico.
É o momento em que os pais se perguntam: Onde estão aqueles bebês com cheirinho de leite e fralda molhada? Onde estão os brinquedos do faz-de-conta, os chás de nada, os herois invencíveis que tudo conseguiam, em suas batalhas imaginárias contra o mal?
As viagens para a praia e o campo já não são tão sonoras. A cantoria infantil e os eternos pedidos de sorvetes, doces, pipoca foram substituídos pelo mutismo ou a conversa animada com os amigos com que compartilham sua alegria.
Os pais se sentem órfãos de filhos. Seus pequenos cresceram sem que eles possam precisar quando. Ontem, eram crianças trazendo a bola para ser consertada. Hoje, são os que lhes ensinam como operar o computador e melhor explorar os programas que se encontram à disposição.
A impressão é que dormiram crianças e despertaram adolescentes, como num passe de mágica.
Ontem, estavam no banco de trás do automóvel; hoje, estão ao volante, dando aulas de correta condução no trânsito.
É o momento da saudade dos dias que se foram, tão rápidos. É o momento em que sentimos que poderíamos ter deixado de lado afazeres sempre contínuos e brincado mais com eles, rolando na grama, jogando futebol.
Deveríamos tê-los ouvido mais, deliciando-nos com o relato de suas conquistas e aventuras, suas primeiras decepções, seus medos. Tê-los levado mais ao cinema, desfrutando das suas vibrações ante o heroísmo dos galãs da tela.

Tempos que não retornam, a não ser na figura dos netos, que nos compete esperar.
Pais, estejamos mais com nossos filhos. A existência é breve e as oportunidades preciosas.
Tudo o mais que tenhamos e que nos preencha o tempo não compensará as horas dedicadas aos Espíritos que se amoldaram nos corpos dos nossos pequenos, para estar conosco.
Não economizemos abraços, carícias, atenções, porque nosso procedimento para com eles lhes determinará a felicidade do crescimento proveitoso ou a tristeza dos dias inúteis do futuro
A criança criada com carinho aprende a ser afetuosa.
A mensagem da atenção ao próximo é passada pelos pais aos filhos.
No dia a dia com os pais, os filhos aprendem que o ser humano, seus sentimentos são mais importantes do que o simples sucesso profissional e todos os seus acessórios.
Em essência, as crianças aprendem o que vivem.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

UM SENTIMENTO SUPERIOR...
















O amor é a celeste atração das almas.
É o olhar de Deus sobre as criaturas e sobre os mundos.
Não se pode confundir, porém, com tal nome a ardente paixão que atiça os desejos carnais.
Esta não passa de uma imagem, de uma grosseira falsificação do amor.
O amor é o sentimento superior em que se fundem e se harmonizam todas as qualidades do coração.
É o coroamento de todas as virtudes humanas da doçura, da caridade e da bondade.
É a manifestação na alma de uma força que nos eleva acima da matéria até as alturas divinas, unindo todos os seres e despertando em nós a felicidade verdadeira.
Amar é sentir-se viver em todos e por todos.
É consagrar-se ao sacrifício, até à morte, em benefício de uma causa nobre ou de um ser.
Se quisermos saber o que é amar, devemos lembrar dos grandes vultos da Humanidade e, acima de todos eles, do Cristo, para quem o amor resumia toda a lei de Deus.
Além disso, não disse Ele: Amai os vossos inimigos?
Por essas palavras, Jesus não pretendeu exigir-nos uma afeição que nos fosse impossível.
Sua orientação pretendia, sim, sugerir-nos a ausência do ódio, de todo o desejo de vingança.
Almejava o Cristo que nos dispuséssemos sinceramente a ajudar nos momentos necessários mesmo aqueles que nos prejudicam e ferem, oferecendo-lhes todo o auxílio que nos seja possível.
Não se pode progredir isoladamente.
Por isso, é preciso conviver com as pessoas, vendo-as como presenças necessárias à nossa evolução.
Deixemos que nossos corações se abram.
Precisamos urgentemente desenvolver a capacidade de amar e de permitir que sejamos amados.
Nossa simpatia deve atingir a todos os que nos rodeiam.
Principal atenção deveremos dar aos nossos pais.
Eles que nos mantiveram durante nossa infância, nos acalentaram e nos aqueceram.
Velaram com ansiedade nossos primeiros passos e as nossas primeiras dores.
O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abraça todas as criaturas.
Deus é o seu foco.
Assim como o sol se projeta, sem exclusões, sobre todas as coisas e reaquece a natureza inteira, também assim o amor vivifica todas as almas.
Seus raios, penetrando através das trevas do nosso egoísmo, iluminam com trêmulos clarões os recônditos de cada coração humano.
Todos os seres foram criados para amar.
As partículas da sua moral, os gérmens do bem que em si repousam, fecundados pelo Foco Supremo, irão se expandir um dia.
Aí, então, florescerão até que todos sejam reunidos em uma única comunhão do amor, em uma só fraternidade universal.
Não importa quem sejamos hoje.
Importa apenas que estejamos dispostos a influenciar um ao outro, no sentido do bem.
Filhos de Deus, somos todos membros da grande família dos Espíritos.
Temos marcados em nossas frontes o sinal da imortalidade.
Somos todos irmãos e estamos destinados a nos conhecer e nos unir em harmonia, longe das paixões e das grandezas ilusórias da Terra.