domingo, 3 de julho de 2011

O Nó no Lençol

Numa reunião de pais numa escola da periferia, a professora ressaltava
o apoio que os pais devem dar aos filhos e pedia-lhes que se fizessem
presentes o máximo de tempo possível...
Considerava que, embora a maioria dos pais e mães trabalhasse fora,
deveria arranjar tempo para se dedicar às crianças.´
Mas a professora ficou muito surpreendida quando um pai se levantou e
explicou humildemente, que não tinha tempo de falar com o filho, nem
de vê-lo, durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar era
muito cedo e o filho ainda estava a dormir. Quando voltava do trabalho
já era muito tarde e o filho já não estava acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento
da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não
ter tempo para o filho e que tentava compensá-lo indo beijá-lo todas
as noites quando chegava em casa.
E para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta
do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites
quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através
dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de
comunicação entre eles.
A professora emocionou-se com aquela história e ficou surpreendida
quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da
escola.
O facto faz-nos reflectir sobre as muitas maneiras de as pessoas se
fazerem presentes, de comunicarem com os outros.
Aquele pai encontrou a sua, que era simples mas eficiente. E o mais
importante é que o filho percebia, através do nó, o que o pai estava a
dizer.
Simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para
aquele filho, muito mais do que presentes ou a presença indiferente de
outros pais.
É por essa razão que um beijo cura a dor de cabeça, o arranhão no
joelho, o medo do escuro..
É importante que nos preocupemos com os outros, mas é também
importante que os outros o saibam e que o sintam.
As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas
sabem reconhecer um gesto de amor.
Mesmo que esse gesto seja apenas um nó num lençol..